Esta voz foi gerada com recurso a inteligência artificial, a partir do resumo do artigo original. Embora esta tecnologia tenha sido concebida para ser útil e precisa, pode conter erros.
Se consideras que o áudio não está claro ou não reflete bem o conteúdo, envia o teu
feedback. A tua opinião é importante para ajudar a melhorar esta funcionalidade!
Este resumo foi criado com recurso a inteligência artificial. Embora esta tecnologia tenha sido concebida
para ser útil e precisa, pode conter erros ou não captar todas as nuances importantes do artigo.
Se consideras que o resumo não está claro ou não reflete bem o conteúdo, envia o teu
feedback. A tua opinião é importante para ajudar a melhorar esta funcionalidade!
Dois meses no Pico e perdi o treino para Lisboa. O treino para o ruído, para a sujidade, para a pequena violência de disputar cada metro de estrada — e eu ando de mota. Na ilha, naquela magnífica ilha, o horizonte estava sempre disponível para quem o olhasse. Aqui, até o passeio parece estar ocupado por alguém com mais pressa do que eu e que me grita com os olhos a faiscar: sai da frente, pá.
A gasolina custa os olhos da cara, mas as estradas estão cheias a rebentar. Parece uma contradição, mas talvez seja apenas uma espécie de prisão. Nem toda a gente conduz porque quer: há quem atravesse a cidade para ganhar o suficiente para continuar a atravessá-la; e há quem não dispense o carro nem para comprar pão apenas duas esquinas acima. No mesmo engarrafamento cabem a necessidade de uns e a falta de imaginação de outros.
O pior não é o trânsito. É a sensação de que trouxemos o trânsito para dentro da cabeça. Buzinamos e fumegamos e poluímos para fora e para dentro — para dentro. A conversa com o outro tornou-se uma ultrapassagem pela direita, o outro tornou-se um obstáculo, o tempo tornou-se uma coisa que falta mesmo quando não sabemos o que fazer com ele. Estamos permanentemente atrasados para uma vida que adiamos. Um beco sem saída onde metemos prego a fundo.
Não, Portugal e o mundo não acabam amanhã, mas convinha perguntar se esta maneira de viver merece assim tanta dedicação. Trabalhar para pagar a pressa, correr para compensar o atraso, chegar a casa sem paciência para as pessoas de quem mais gostamos. Depois chamamos a isto um dia normal, quase normal. Tanta necessidade de reconhecimento — tanta força, tanta fraqueza.
A morte de Jorge Palma trouxe-me uma tristeza funda. E, no meio dela, reencontrei palavras que me faziam falta: liberdade, amizade, entrega, inspiração, dedicação, amizade outra vez, proximidade, prazer. Foi uma morte sentida que nos trouxe o mais bonito raio de Sol do dia.
Diz ao Google que o SAPO é uma das tuas fontes de informação preferidas.
Assim, nas tuas pesquisas Google, encontras conteúdos SAPO. Saber mais
Recebe todos os dias, no teu e-mail, as notícias que valem a pena ver.