Empresas europeias querem regras verdes estáveis e criticam incerteza da simplificação

Publicat: 2026-09-25 19:27:35 | Sursă: jornaldenegocios.pt
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Simplificar as regras europeias pode não estar a produzir a previsibilidade que as empresas esperavam. Mais de metade dos líderes empresariais ouvidos num novo estudo da GlobeScan considera que as recentes iniciativas da União Europeia (UE) para simplificar a legislação ambiental e de sustentabilidade tiveram efeitos negativos ou mistos nos seus negócios. Apenas 29% apontam um impacto positivo.

O estudo “Beyond Uncertainty”, pedido pelo escritório europeu do WWF e publicado esta semana, ouviu 350 dirigentes de empresas europeias entre junho e julho. A investigação foi desenhada, realizada e analisada de forma independente pela GlobeScan e abrange empresas de diferentes dimensões e setores. Portugal integra os dez países abrangidos, embora represente apenas 2% da amostra, pelo que os resultados são apresentados para o conjunto dos inquiridos.

A conclusão mais expressiva surge quando competitividade e sustentabilidade são colocadas frente a frente. Nove em cada dez gestores, 91%, consideram que a passagem para uma economia de baixo carbono e ambientalmente sustentável reforça a competitividade das empresas europeias no longo prazo, apesar das dificuldades que possa provocar no imediato. Entre as vantagens mais apontadas estão uma menor exposição aos riscos climáticos e associados à natureza, maior segurança no acesso a energia e matérias-primas e custos mais estáveis.

Entre os gestores que sentiram efeitos negativos ou mistos das recentes alterações regulatórias, 57% apontam uma maior incerteza sobre o rumo futuro da política europeia. Há também referências a investimentos feitos para preparar o cumprimento de regras que entretanto mudaram, enquanto cerca de três em cada dez dizem ter adiado ou colocado em pausa decisões de investimento.

“A previsibilidade é essencial para que a política de sustentabilidade impulsione uma transformação real”, defende Francesco Tramontin, vice-presidente global de Assuntos Públicos e Relações com a UE da Ferrero. Para o responsável, um quadro regulatório “claro e coerente” permite canalizar recursos para inovação, resiliência das cadeias de abastecimento e criação de valor de longo prazo, em vez de transformar a sustentabilidade num mero exercício de conformidade.

Pernilla Halldin, responsável de assuntos públicos da H&M, refere que as empresas não precisam de “menos ambição”, mas antes de “maior certeza e implementação eficaz” para poderem tomar decisões de investimento de longo prazo.

Questionados sobre as duas prioridades que mais poderiam contribuir para a competitividade europeia, 43% dos dirigentes escolhem políticas e legislação previsíveis e coerentes. Seguem-se o investimento público e os incentivos à transição verde, investigação e inovação, com 31%, e o acesso a energia limpa, fiável e a preços comportáveis, com 29%.

Quando a pergunta se concentra na aplicação das regras de sustentabilidade, 32% pedem maior clareza e segurança jurídica, 28% uma aplicação consistente das regras e outros 28% calendários estáveis que permitam planear investimentos.

“A transição para uma economia mais sustentável e resiliente é uma oportunidade para a Europa reforçar tanto a competitividade como a prosperidade”, afirma Fleming Voetmann, vice-presidente para política e assuntos regulatórios da VELUX, acrescentando que as empresas precisam de “quadros políticos estáveis” que favoreçam investimentos de longo prazo.

A confiança na capacidade europeia para proporcionar essas condições está, no entanto, longe de acompanhar o apoio à transição. Entre quem considera prioritária uma política europeia previsível e coerente, apenas 34% acredita que a UE está no caminho certo para a concretizar, contra 64% que pensa o contrário.

Mais de metade dos dirigentes (56%) considera improvável que, mantendo-se o atual quadro regulatório, a UE consiga cumprir objetivos como alcançar a neutralidade climática em 2050 e inverter a perda de biodiversidade.

Empresas europeias querem regras verdes estáveis e criticam incerteza da simplificação