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Os empresários das terraplanagens iniciaram esta sexta-feira uma marcha lenta entre Paredes e Coimbra para exigir medidas contra a subida dos combustíveis, enquanto o Governo admite que o setor tem ficado de fora dos apoios e garante estar a analisar as suas reivindicações. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, recebe os representantes dos empresários na segunda-feira.
A marcha lenta arrancou cerca das 7h40, junto à entrada de Lordelo, em Paredes, com mais de uma centena de viaturas pesadas. Os promotores estimam que a coluna possa chegar a cerca de 500 camiões ao longo do percurso até Coimbra, com vários pontos de concentração previstos para a entrada de mais veículos.
Combustíveis a caminho de subida de 16% na reta final do ano
O protesto junta empresas ligadas à extração de inertes, transportes, movimentação de terras e outras atividades do setor das terraplanagens, que reclamam uma resposta do Governo ao forte aumento dos custos dos combustíveis. Uma das principais reivindicações passa pela inclusão deste subsetor no regime do gasóleo profissional, à semelhança do que acontece com outras atividades.
“[Gostávamos] que nos dessem uma contrapartida para não fazermos mais isto, que acarreta prejuízos para as nossas empresas. Queremos que hoje isto seja resolvido, nos ouçam, e que tenhamos o tão esperado gasóleo profissional”, afirmou à Lusa Rui Cunha, um dos empresários que aderiram ao protesto.
A coluna de camiões seguiu acompanhada pela GNR, através da A1, em direção a Coimbra, circulando a baixa velocidade e com vários veículos a buzinar. “Hoje, os camiões param. A importância deles, não”, podia ler-se na frente do camião que abriu a marcha.
À margem da “CNN Portugal Summit i9 Cascais – Living the Future”, Miguel Pinto Luz reconheceu que as empresas de terraplanagens têm ficado de fora das medidas adotadas para responder à escalada dos preços dos combustíveis. “É um setor que, de alguma forma, tem sido esquecido” nas medidas tomadas até agora, admitiu o ministro, acrescentando que “não pode ser” esquecido e que o Governo está “a analisar as suas pretensões”.
Miguel Pinto Luz explicou que estas empresas apresentam características específicas, uma vez que muitas são simultaneamente transportadoras e proprietárias da sua própria frota. “Temos que ter uma abordagem diferente, é um nicho de mercado que não pode ser esquecido”, afirmou.
O ministro confirmou ainda que vai receber os representantes dos empresários na segunda-feira, às 11h, para ouvir as suas reivindicações e avaliar posteriormente a resposta a dar ao setor. “Na segunda-feira irei ouvir as reivindicações, iremos encetar o diálogo e, depois, faremos a nossa avaliação. Nessa altura tomaremos uma posição especificamente sobre este setor que agora está a reivindicar”, afirmou.
O Governo, acrescentou, não fechou a porta a novas medidas. “O Governo não cristalizou o limite dos seus apoios agora. Continuamos a trabalhar para todos. Temos medidas, faremos mais se for preciso”, assegurou.
Os empresários consideram que o impacto da subida dos combustíveis se tornou insustentável para um setor particularmente dependente do gasóleo. Segundo os promotores da marcha lenta, o combustível representa “quase 70% do preço final” apresentado pelas empresas aos clientes. Desde 27 de fevereiro, apontam, o preço do gasóleo em Portugal passou de 1,59 euros para 2,22 euros por litro, uma subida de 63 cêntimos, ou cerca de 40%, de acordo com os valores indicados pelo movimento.
Bruno Neto, empresário que participou no protesto, afirmou à Lusa que os custos com combustível já representam cerca de 30% das contas da empresa, com “70% da faturação a ir para o combustível”.
O problema é agravado pela dificuldade em repercutir o aumento dos custos nos contratos já assinados. “Nos contratos assumidos, não conseguimos fazer nada. Nos novos, estamos a tentar, mas o cliente, aí, simplesmente não aceita”, relatou. O empresário admite que, se a situação se prolongar, poderá haver consequências para o emprego e para a sobrevivência das empresas.
Também Rui Cunha considera a situação “quase insuportável”, apontando as dificuldades em atualizar os preços dos contratos e o impacto dos custos nas novas obras. “É impossível para os patrões suportar os aumentos, pelos consumos dos camiões”, afirmou, por sua vez, Cipriano Jorge, outro dos participantes na manifestação.
O movimento, que reúne mais de 100 empresas, pretende agora levar as reivindicações à reunião com o Governo marcada para segunda-feira. Os empresários querem, em particular, que seja encontrada uma solução que permita reduzir o impacto do gasóleo nas suas estruturas de custos e evite novas ações de protesto.
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Desde o início da guerra no Médio Oriente, o gasóleo regista um aumento acumulado de 58 cêntimos e a gasolina de 40,4 cêntimos, sem ter em conta as previsões para a próxima semana.
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