França envia tropas para ajudar a Arábia Saudita a proteger-se dos ataques dos hutisCréditos:Mustafa Yalcin/Anadolu via Getty Images
O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta quinta-feira, numa entrevista aos canais TF1 e France 2, o envio de tropas e sistemas de defesa para Yanbu, cidade portuária saudita situada no Mar Vermelho e um dos principais centros de exportação de petróleo do país.
A decisão surge na sequência da intensificação dos ataques dos rebeldes hutis contra infraestruturas sauditas e tem como objetivo proteger instalações energéticas estratégicas, sem envolver diretamente a França no conflito.
"Vamos enviar recursos militares, ou seja, soldados, sistemas de radar e sistemas de defesa, para proteger este local, não para nos envolver em conflitos", afirmou Macron .
Segundo o Presidente francês, o destacamento foi acordado com as autoridades sauditas e terá como prioridade a defesa das infraestruturas energéticas de Yanbu.
A cidade desempenha um papel central nas exportações petrolíferas da Arábia Saudita. Além de acolher instalações de armazenamento e refinação, está ligada ao oleoduto Leste-Oeste, que transporta crude do leste do país até à costa do Mar Vermelho, permitindo contornar o estreito de Ormuz.
Na quinta-feira, os rebeldes reivindicaram ataques contra instalações da petrolífera estatal Saudi Aramco em Yanbu e contra um alvo em Riade. As autoridades sauditas afirmaram ter intercetado seis mísseis balísticos, sem confirmar danos nas infraestruturas visadas.
A deterioração da situação de segurança na região já está a provocar efeitos nos mercados energéticos. O aumento dos riscos associados às principais rotas de transporte contribuiu para a subida dos preços do petróleo, numa altura em que Riade tem recorrido com maior frequência ao estreito de Ormuz para assegurar parte das suas exportações.
A decisão de Paris insere-se num contexto de crescente envolvimento internacional na segurança da região. O Reino Unido já anunciou apoio defensivo, incluindo operações de reabastecimento aéreo, enquanto Riade tem procurado reforçar a cooperação militar com países como o Paquistão e a Turquia. Por seu lado, os EUA recuaram no apoio direto a Riade, um aliado fundamental na região.
Na mesma entrevista, Macron abordou também a ameaça russa e rejeitou informações segundo as quais a CIA teria alertado serviços europeus para a possibilidade de ataques com drones lançados a partir do Mediterrâneo. O Presidente francês afirmou que os serviços de informações franceses não receberam qualquer aviso nesse sentido.
Na semana passada, Macron reuniu no Eliseu os líderes dos principais partidos franceses para discutir o agravamento da ameaça russa e revelou ter solicitado ao Governo um plano para reforçar a proteção de infraestruturas críticas contra possíveis ataques com drones e ciberataques.
Texto de Daniela Domingues, editado por João Pedro Barros
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