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O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) assume-se como “um TAPista”, um defensor da companhia aérea nacional, em privatização, que é determinante para o turismo em Portugal e que “tem passado” e “aguentado tudo”.
“Declaração de interesses: eu sou um TAPista. Sou um grande defensor da TAP. A TAP tem passado por tudo. É nacional, é pública, é nacionalizada, é renacionalizada. Aguenta tudo. E é determinante para o turismo em Portugal. Tem sido determinante e tem aguentado tudo”, começou por dizer Francisco Calheiros.
Lufthansa e Air France fazem oferta final pela TAP no dia 30premium
O responsável lembrou, em entrevista à Agência Lusa por ocasião do Dia Mundial do Turismo que se comemora no domingo, que tinha preferido que a privatização da TAP tivesse sido sobre 100% do capital. “Penso que há garantias que o possa ser num futuro próximo”, disse, considerando que “é muito importante para o comprador, para poder captar as suas sinergias, ter uma TAP a 100%”.
O Governo anunciou no início de setembro que ia iniciar negociações finais com os dois candidatos que entregaram ofertas vinculativas para a compra de 44,9% da TAP, Air France-KLM e Lufthansa.
A TAP orgulhosamente só não é possível. Não há companhias orgulhosamente só da Europa e vamos ser inseridos numa plataforma com um poder de compra, seja de aviões, seja de combustíveis, seja de seguros, que acho que vai beneficiar em muita TAP.
Presidente da Confederação do Turismo de Portugal
Instado a comentar o processo e o facto de sempre ter defendido que a TAP fosse entregue a parceiros estratégicos, em prol de investidores financeiros, admitiu que estão “dois ‘players’ [operadores da aviação] muito importantes em cima da mesa”.
“Quando me perguntam qual é que prefiro, não faço ideia nenhuma, porque tinha que conhecer os planos que têm para a TAP. Agora, que são dois ‘players’ muito sérios, quer a Lufthansa, quer a Air France-KLM, que acho que vão fazer bem à TAP, acho”, adiantou.
O responsável justifica com o facto de a TAP conseguir desta forma “entrar numa plataforma”. “A TAP orgulhosamente só não é possível. Não há companhias orgulhosamente só da Europa e vamos ser inseridos numa plataforma com um poder de compra, seja de aviões, seja de combustíveis, seja de seguros, que acho que vai beneficiar em muita TAP”, explicou.
Em 01 de setembro, a Parpública entregou para análise do Governo o relatório sobre as duas ofertas vinculativas para a privatização da TAP, cujo processo prevê a venda de até 49,9% do capital da companhia, dos quais 5% estão reservados aos trabalhadores, podendo a parcela não subscrita ser adquirida pelo investidor selecionado, ao abrigo de um direito de preferência.
Na entrevista, Francisco Calheiros diz também que os problemas nos aeroportos estão mitigados mas há que estar atentos. “Neste momento, as filas dos aeroportos, acho que é uma história do passado, espero que nunca mais se venha a repetir o que tivemos. (…) Estou a olhar com algum otimismo para o futuro, porque, de facto, com o ministro dentro dos dossiers como está, acredito que ele consiga fazer ali um ‘turnaround’ [inversão] importante”, acrescentou.
O presidente da Confederação do Turismo de Portugal diz que o setor do turismo está saudável, mas que, dada a conjuntura nacional e internacional, é hora de deixar de ter como prioridade o número de turistas e focar na criação de valor.
“O estado de saúde do turismo continua bom. Os crescimentos não têm sido, de facto, os do passado, mas os recordes continuam-se a bater”, começou por afirmar Francisco Calheiros em entrevista à Lusa, por ocasião do Dia Mundial do Turismo que se comemora no domingo, dia 27.
Acho que temos que fazer uma alteração agora. Não é o número de turistas e o número de dormidas que deve ser a nossa principal prioridade, a nossa principal prioridade deve ser a criação de valor.
Presidente da Confederação do Turismo de Portugal
“Temos que contextualizar bem o que é que estamos a falar. De 2009 a 2019, os turistas em Portugal dobraram. Crescimento de 100%. É evidente que quando já estamos a falar de milhões de turistas, milhões de dormidas, não podemos continuar com esta senda de crescimento. (…). De qualquer maneira, os últimos dados disponíveis que temos são os dados a julho de 2026 e continuamos a crescer (…) e, portanto, quer dizer que isto comprova que a saúde do turismo continua boa”, afirmou.
Questionado sobre em qual dos lados se encontra, se das vozes que defendem, numa altura em que o setor está em consolidação, menos turistas e mais receitas através da captação de visitantes com maior poder de compra, ou se dos que receiam que o turismo possa perder força enquanto motor da economia, Francisco Calheiros respondeu: “Claramente do primeiro”.
Para justificar a escolha, o responsável da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) elencou várias situações da conjuntura, nomeadamente o facto do aeroporto de Lisboa estar “na sua capacidade praticamente plena” e de o crescimento do número de turistas ter desacelerado.
“Acho que temos que fazer uma alteração agora. Não é o número de turistas e o número de dormidas que deve ser a nossa principal prioridade, a nossa principal prioridade deve ser a criação de valor”, como os dos “Estados Unidos, Canadá, podemos acrescentar Brasil, Polónia, Coreia, são tudo turistas que toda a gente quer. Porque, por um lado, fazem mais pernoitas e, por outro lado, gastam mais. E, portanto, é nessa senda que nós temos que ir (…)”, defendeu.
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