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A taxa Euribor desceu esta sexta-feira a três meses e subiu a seis e a 12 meses para novos máximos desde setembro e julho de 2024, respetivamente.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 3,070%, mais 0,052 pontos que na quinta-feira e um novo máximo desde setembro de 2024.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu hoje, para 3,379%, mais 0,071 pontos e um novo máximo desde julho de 2024.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses cedeu hoje, ao ser fixada em 2,607%, menos 0,007 pontos que na véspera.
Em 10 de setembro, como esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas diretoras, em 25 pontos base, depois de as ter mantido em julho.
Em junho, o BCE tinha subido, pela primeira vez desde setembro de 2023, as taxas diretoras, designadamente 25 pontos base, depois de as manter em abril, pela sétima reunião consecutiva e de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 28 e 29 de outubro em Frankfurt.
As principais praças europeias estão a negociar em território positivo, num dia em que o mercado de dívida estabilizou após o mais recente "sell-off" e os preços do petróleo estão a recuar quase 2% - mantendo-se, mesmo assim, acima da marca dos 100 dólares por barril. O movimento acontece depois de a imprensa internacional ter noticiado que os EUA e o Irão estão a avaliar um plano por fases para reabrir o estreito de Ormuz.
"Os mercados têm prestado atenção aos sinais de alerta provenientes dos mercados de obrigações, mas, graças a um contexto económico favorável, continuam suficientemente sólidos para acompanhar de perto a situação e posicionarem-se em conformidade à medida que se aproximam as eleições intercalares nos EUA", explica Guillermo Hernandez Sampere, diretor de negociação da MPPM, à Bloomberg.
O principal índice europeu está, assim, a apenas 3% dos máximos históricos atingidos em agosto. No entanto, tem enfrentando dificuldade na hora de encontrar novos catalisadores para o levar além desse patamar, com a mais recente escalada nos preços da energia a levar os investidores a exigirem mais dinheiro para emprestar dinheiro aos países e a desfazerem-se de algumas posições nas ações globais.
Entre as principais movimentações de mercado, o UBS acelera 3,15% para 40,66 francos suíços, depois de ter sido noticiado que o gigante helvético está a estudar a possibilidade de se fundir com uma instituição financeira fora da Suíça para evitar os novos requisitos aprovados esta semana pelo Parlamento.
Quanto aos resultados por praça, o alemão DAX avança 0,86% e o italiano FTSEMIB valoriza 1,01%. Já o francês CAC-40 soma 0,39%, o espanhol Ibex avança 1,05%, enquanto o britânico FTSE 100 cresce 0,51% e o neerlandês AEX negoceia com ganhos de 0,85%.
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com alívios esta sexta-feira, após o mercado ter enfrentando um "sell-off" nos últimos dias, que levou as "yields" da região a escalarem e a atingirem máximos de vários anos. A cotação do petróleo e a expectativa de vários apertos monetários por parte do Banco Central Europeu (BCE) no próximo ano estão por detrás destes movimentos.
Esta sexta-feira, os preços do crude estão a registar um pequeno alívio em torno de 1%, depois de terem acelerado mais de 7% em apenas duas sessões. Apesar de o movimento não compensar as subidas mais recentes e o barril de Brent - referência para a Europa - continuar acima dos 100 dólares, está a ser suficiente para atenuar as preocupações dos investidores.
Estas movimentações seguem-se a notícias de que os EUA e o Irão estariam a estudar um caminho faseado para terminar com a guerra no Médio Oriente e reabrir o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido a nível mundial. De acordo com a Reuters, citada pela Bloomberg, os negociadores de ambos os lados, enviados a Nova Iorque, discutiram uma possível reabertura da via marítima por parte de Teerão e, por parte de Washington, um levantamento do bloqueio económico aplicado à República Islâmica.
Os juros das "Bunds" da Alemanha com maturidade a dez anos, a referência para a Europa, estão a cair 1 ponto-base para 3,587%, depois de ter registado a maior subida em dois dias nos últimos dois meses, com um aumento de 14 pontos base. Enquanto isso, a rendibilidade da dívida francesa alivia 1,3 pontos-base para 4,676%. Em Itália, a queda é de 2,3 pontos para 4,52%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa também a dez anos recuam 1,3 pontos-base para 3,964%, afastando-se um pouco da barreira dos 4%. Em Espanha, a descida dos juros da dívida é de 0,9 pontos para 4,071%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas a dez anos caem 3 pontos para 5,35%, enquanto, nos EUA, deslizam 2,9 pontos-base para 5,169%.
O iene está a conseguir recuperar o terreno perdido nas últimas sessões face ao dólar, depois de a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, ter afirmado que o Presidente dos EUA, Donald Trump, partilha dos seus receios em torno da fraqueza da moeda nipónica. Os dois tiveram reunidos no arranque da semana em Nova Iorque.
A esta hora, o dólar está a perder 0,49% para 158,08 ienes, afastando-se do nível dos 160 ienes - considerado de intervenção por parte dos mercados. Os investidores antecipam assim uma possível ação coordenada entre Tóquio e Washington para voltar a dar força à moeda, principalmente depois de Katayama ter afirmado que vai continuar a coordenar as suas ações com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.
"O risco de intervenção deverá limitar a queda do iene", explica Moh Siong Sim, estratega cambial do OCBC, à Bloomberg. "Mais importante ainda, o iene poderá estar a aproximar-se de um ponto de viragem, uma vez que as preocupações de Trump relativamente à sua desvalorização apontam para uma coordenação mais estreita entre os EUA e o Japão para apoiar a moeda", acrescenta.
Estes movimentos são, no entanto, apenas um pequeno revés para a moeda norte-americana, que se prepara para fechar a melhor série de duas semanas em mais de seis meses. O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa face aos seus principais rivais - valorizou cerca de 2% nas últimas nove sessões, atingindo o nível mais elevado desde julho, impulsionado, em grande parte, pela subida dos preços do petróleo e consequente aumento das probabilidades de a Reserva Federal (Fed) ser mais agressiva na hora de subir juros.
Esta sexta-feira, o índice até está a cair 0,1%, mas o movimento é demasiado contido para retirar o otimismo dos investidores e analistas em relação à moeda. A esta hora, o euro está a negociar inalterado nos 1,1380 dólares, enquanto a libra acelera apenas 0,02% para 1,3222 dólares.
O ouro está a encaminhar-se para fechar a semana com um saldo negativo, numa altura em que os preços elevados do petróleo e gás natural estão a fazer com que os investidores antecipem uma postura mais agressiva por parte dos bancos centrais na hora de fazer subir as taxas de juro.
A esta hora, o metal amarelo negoceia praticamente inalterado, com ganhos de apenas 0,03% para 4.276,01 dólares por onça, depois de ter perdido cerca de 2% do seu valor esta semana. Após ter sido pressionado por uma subida de 7% nos preços do crude na quarta e quinta-feira, o ouro não está a conseguir capitalizar sobre a queda do crude neste final da semana.
A subida nos preços da energia tem ainda pressionado o mercado de dívida global, levando os juros das obrigações dos EUA a longo prazo a máximos de 2004. Dois fatores que têm criado um "cenário difícil para o ouro", esclarece Christopher Wong, analista do Oversea-Chinese Banking Corporation, citado pela Bloomberg.
"Se as taxas de rendibilidade continuarem a subir, não me surpreenderia que o ouro continuasse sob pressão", diz ainda, acrescentando que a perspetiva a longo prazo mantém-se inalterada, mas "provavelmente será necessário um novo catalisador antes da próxima subida significativa".
O ouro não tem conseguido romper o intervalo limitado em que tem negociado em setembro, cotando sempre próximo dos 4.300 dólares por onça. A procura por novos catalisadores tem sido difícil e nem as notícias de que os EUA e Irão estão a avaliar um acordo por fases para reabrir Ormuz estão a dar ânimo à negociação do metal amarelo.
Os preços do petróleo arrancaram o dia com perdas de cerca de 1%, com o Brent a manter-se acima da casa dos 100 dólares por barril, numa altura em que os EUA e o Irão estão a avaliar um acordo por fases para terminar com a guerra no Médio Oriente e reabrir o estreito de Ormuz - por onde passa um quinto de todo o crude consumido a nível global.
A esta hora, o Brent do Mar Norte - de referência para a Europa - recua 0,97% para 105,59 dólares por barril, isto depois de ter acelerado mais de 7% nos últimos dois dias. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - crude de referência para os EUA - cede 1,78% para 92,91 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão cai 2,3% para 73,19 euros por megawatt hora.
Os negociadores iranianos e norte-americanos, presentes em Nova Iorque, terão discutido uma possível reabertura do estreito de Ormuz por parte de Teerão em troca de um levantamento do bloqueio económico aplicado à República Islâmica por parte de Washington, noticiou na quinta-feira a Reuters, citada pela Bloomberg.
De acordo com o britânico Financial Times, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, já terá enviado uma nova proposta aos EUA para proceder com a reabertura da via marítima - mas só se certas condições forem cumpridas. Do lado da Casa Branca, mantém-se a narrativa de que o Presidente norte-americano continua aberto a possíveis negociações, embora não precise de dialogar, uma vez que, diz, tem a posição mais forte.
"O Brent vai provavelmente manter-se entre os 100 e os 110 dólares por barril, a menos que algo mude significativamente", exploca Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, desvalorizando os mais recentes avanços nas negociações."Um acordo credível e faseado poderia levar o crude a ficar abaixo dos 100 dólares com bastante rapidez, enquanto outro fracasso na cadeia de exportação ou logística poderia colocar os 120 dólares novamente em jogo", acrescenta.
As principais praças asiáticas, as poucas que estiveram abertas esta sexta-feira, terminaram a derradeira sessão da semana divididas entre ganhos e perdas, num dia que, por agora, está a ser marcado por um alívio das pressões no mercado de dívida, depois de um "sell-off" obrigacionista ter levado os investidores a reduzirem a sua exposição às ações globais.
O MSCI Asia Pacific - "benchmark" para a negociação asiática - está a negociar com um avanço de 0,53%, impulsionado, em grande parte, pela valorização de vários pesos-pesados japoneses. Os nipónicos Nikkei 225 e Topix terminaram a sessão a acelerar ambos mais de 1%, num dia em que as praças da China continental, Coreia do Sul e Taiwan estiveram encerradas devido a um feriado local.
Pela Europa, a negociação de futuros aponta para uma abertura em alta, com o Euro Stoxx 50 a avançar 0,9%. A confirmar-se, será uma clara correção das quedas registadas nos últimos dois dias, em que o principal índice da região, o Stoxx 600, perdeu cerca de 1% do seu valor, pressionado por grande turbulência no mercado de dívida e por uma subida dos preços do petróleo.
"Após uma subida tão rápida das taxas de rendibilidade das obrigações esta semana, o mercado deverá provavelmente passar por um período de consolidação", explica Rajeev De Mello, gestor de carteiras de macroeconomia global na Gama Asset Management, à Bloomberg. "Após uma variação desta magnitude, gostaria de ver um período mais sustentado de estabilidade nas taxas de rendibilidade antes de assumir uma posição mais otimista em relação à duração [da consolidação]", acrescenta.
Em Hong Kong, a única praça chinesa que não está encerrada esta sexta-feira, o Hang Seng encerrou a sessão a perder 1,38%, com os analistas a atribuírem a queda à falta de anúncios concretos vindos da cimeira entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da segunda maior economia do mundo, Xi Jinping. Os dois países concordaram alargar a trégua comercial apenas uns meses, passando de novembro para janeiro.
Acompanhando Hong Kong nas perdas, o principal índice australiano, o S&P/ASX 200, terminou o dia com uma desvalorização superior a 0,4%.
Euribor sobe a seis e a 12 meses para novos máximos desde o verão de 2024